sexta-feira, 10 de maio de 2013

Preços do LIDL na Bélgica e em Portugal..

Caras/os amigas/os,
Junto uma carta e anexo que mandei para a Deco assim com outra para o Jose Gomes Ferreira sobre o abuso  da Grande Distribuição em Portugal.
A unica maneira para conseguir melhorar esta situação e dar uma difusão quanto maior possivel aos factos.
 Se concordar faz favor ajude em o divulgar.



GEORGES STEYT
Quinta do Outeiro – Rua José Baptista Canha, 7 – 2565-116 Carmões
Tel.: 261 743 34 - georgessteyt@yahoo.fr
Carmões, 8 de Abril de 2013
DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor
R. de Artilharia Um, n.º 79, 4.º
1269-160 Lisboa
Exmas./os Senhoras/es,
Queiram encontrar em anexo um quadro comparativo de preços demonstrativo da
política descriminatória de preços praticada pela LIDL em relação a Portugal, implicando
a constatação de o nível de preços ao consumidor em Portugal se situar num patamar
escandalosamente elevado.


Os portugueses não têm apenas os salários mais baixos e dos impostos mais elevados
da UE, mas ainda, as práticas da Grande Distribuição obriga-os a pagar as suas
compras a preços totalmente abusivos.
Não compreendo como é que uma organização como a vossa, em princípio existente
para a defesa dos consumidores, permanece silenciosa sobre um tema tão crucial. Em
Agosto de 2009, enderecei a V.Exas. uma correspondência similar (vidé cópia anexa),
sugerindo uma comparação sistemática entre os preços praticados pelas cadeias
europeias (Auchan, Intermarché, Lidl, Aldi ...) nos seus países de origem e em Portugal.
Tanto quanto é do meu conhecimento, tal comparação nunca foi por vós feita. Ora,
certamente que se trataria dum modo bem simples de exercer pressão sobre o cartel da
distribuição que se permite este tipo de abusos.
Se a Lidl se dá ao luxo de abusar de forma tão descarada do consumidor português, fá-
lo muito simplesmente porque o ambiente (não)concorrencial lho permite. Neste
contexto, será interessante fazer notar que, de forma quase sistemática, o abuso de
margens praticado pela Lidl, em relação aos preços na Bélgica, se repete ao cêntimo na
Aldi, o que deixa claramente entender existir aqui um acordo de preços.
Tendo em conta o facto de os preços praticados na Bélgica e noutros países do Norte
pela Lidl (e Aldi) incluirem já uma margem que torna as suas operações perfeitamente
rentáveis, somos levados a constatar que estas empresas se regalam em Portugal com
uma margem SUPLEMENTAR perfeitamente exorbitante, acima dos 50%. Ora, os
custos variáveis da distribuição são constituídos essencialmente pela mão de obra e
pelos custos imobiliários, dois tipos de despesa claramente menos onerosos emPortugal. Este tipo de prática abusiva encontra a sua única explicação no poder dos
interesses monopolistas instalados. A Lidl não é o único réu, o que está em causa é o
conjunto da distribuição.
Se, a nível da Comunicação Social, a DECO, que se presume ter por vocação tal tarefa,
não denunciar um tal escândalo, quem o fará?
Dedica a vossa Associação largo tempo a comparar as diferenças de preço, por vezes
pouco significativas, entre as cadeias de distribuição em Portugal, perdendo de vista
que é a totalidade da distribuição que é abusivamente cara. Deveriam atacar o
problema a fundo denunciando este escândalo. Para tal, bastaria que procedessem às
comparações por mim sugeridas.
Esperando a melhor atenção de V.Exas. para o exposto, subscrevo-me com os
melhores cumprimentos,
Georges Steyt
Anexos:
Quadro comparativo preços Lidl Bélgica / Portugal
Cópia da minha carta à DECO de ...


COMPARAÇÃO ENTRE PREÇOS DO LIDL
NA BÉLGICA E EM PORTUGAL

PRODUTO                                        A                      B                     C
Café solúvel Gold                             1,99                  2,29                  15%
Bolachas Mc Kenndey    225 gr         0,65                  1,49                  130%
Chocolate Plantage         125 gr         1,29                  1,59                  30%
Nozes cajú                       150 gr       1,69                  2,29                  35%
Amendoins salgados        250 gr        0,75                  1,15                  53%
Pasta (massa) Fusilli        500 gr        0,36                  0,42                  17%
Mayonnaise Vita D'Or     500 ml        0,79                  1,29                  63%
Pesto                                 150 gr      0,89                 1,29                  45%
Atum natural Nixe           150 gr         0,96                 1,39                  45%
Queijo Roquefort             150 gr        1,75                  2,69                 54%
Queijo Camembert           250 gr        1,09                  1,59                 46%
Queijo Mozarella (unidade)                0,39                  0,89                128%
Queijo Emmental ralado  200 gr         1,05                  1,69                 61%
média de 13 produtos: + 55,5 %

A = Preços no Lidl Chaussée d'Alsemberg em Uccle/Bruxelas (Bélgica) em 16-01-2013
B = Preços no Lidl de Torres Vedras em 18-01-2013
C = Percentam a mais em Portugal por produtos rigorosamente idênticos

Todos estes preços estavam fora de qualquer promoção
Obs.: Composição da amostra de produtos:
A composição da amostra de produtos é aleatória tendo sido obtida tendo em consideração os 2 seguintes critérios de selecção: 
 -1 -produtos que consumo habitualmente
 -2 - produtos inteiramente idênticos nos dois países.
 Assim, este quadro não reflecte necessariamente a totalidade dos artigos mas não andará muito longe, visto o carácter inteiramente aleatório da escolha dos artigos.

GEORGES STEYT
Quinta do Outeiro – Rua José Baptista Canha, 7 – 2565-116 Carmões
Tel.: 261 743 34 - georgessteyt@yahoo.fr
Carmões, 8 de Abril de 2013

Exmo. Senhor
Dr. José Gomes Ferreira
a/c SIC NOTÍCIAS
LISBOA
Exmo. Senhor
Admiro a forma como V.Exa. não cessa de denunciar os efeitos perniciosos da
prevalência da corrupção, em Portugal. Não o faz de forma fanática, mas sim,
persistente, e baseando-se em factos. Daí lhe advém a força de saber convencer.
Gostaria de acrescentar um pequeno mosaico à sua argumentação, e como tal,
permito-me enviar-lhe cópia de uma correspondência endereçada à DECO. Isto tanto
mais porque duvido que esta associação irá dar aos factos que exponho a divulgação
que merecem. Acontece que os abusos de margens de comercialização que denuncio
são perfeitamente exorbitantes.
De nacionalidade belga, vivo em Portugal há mais de 15 anos. Desde o início, fiquei
estupefacto com as diferenças de preço entre Portugal e o norte da Europa. Verdade é
que alguns bens são claramente menos caros: restaurantes, hotéis e, dum modo geral,
todos os bens ou produtos com uma forte componente de mão de obra. Facto, aliás,
muito lamentável para o povo português simples, pois implica que os seus rendimentos
sejam francamente inferiores.
Dito isto, o mesmo não se passa com todos os serviços, visto que estes, oferecidos
pelas classes educadas (médicos, engenheiros, advogados, arquitectos, etc.) são
nitidamente superiores aos preços praticados nos países da Europa do Norte. Facto
que tende a comprovar a força do espirito corporativo existente nestas profissões, o
qual lhe permite estes preços exagerados. Assim, enquanto uma consulta num médico
generalista na Bélgica custa cerca de € 30,00, dos quais a Segurança Social reembolsa,
no mínimo, € 20,00, uma consulta a um médico particular em Portugal custa, no mínimo
dos mínimos, € 60,00, sem reembolso. Uma vez mais, é a população modesta que
paga.
No que diz respeito aos bens alimentares, é certo que a carne, o peixe, a fruta e os
legumes costumam ser menos dispendiosos por cá. Em contrapartida, os produtos
embalados são nitidamente mais caros, como se comprova pelo quadro comparativo
referente à LIDL. E, se tivermos em conta que a LIDL é habitualmente menos cara que
as cadeias portuguesas, podemos concluir que o consumidor português desembolsa
valores excessivos pelos produtos em questão. Creio, aliás, que a diferença entre onível de preços dos produtos frescos e os produtos embalados resulta muito
simplesmente do facto de a distribuição dos primeiros contar ainda com um número
considerável de distribuidores independentes, enquanto que a Grande Distribuição
conseguiu praticamente monopolizar a distribuição dos produtos acondicionados.
Garanto-lhe a autenticidade dos números que avanço. Fiz em 2009 uma primeira
comparação deste tipo para a DECO, tendo na altura remetido cópia à LIDL que tentou
(com argumentação absurda) justificar as diferenças, sem, no entanto, as contestar
minimamente.
As práticas de entendimento monopolsita na distribuição constituem igualmente uma
forma de corrupção. A única forma de defesa é a divulgação dos factos, tal como V.Exa.
o faz, de forma tão brilhante, em matéria de política e administração pública.
Grato pela atenção que o assunto lhe possa merecer, apresento a V.Exas. os meus
melhores cumprimentos.
Georges Steyt
Anexos:
Carta à DECO/Proteste
Quadro comparativo preços LIDL Bélgica / Portugal




16 comentários:

  1. P/ a comparação ser completamente rigorosa deviam usar-se preços sem IVA. É claro q fico com a ideia de q as difrenças entre os valores de IVA, em Portugal e na Bélgica, não justificam a disparidade de preços na sua totalidade. Grato pela comparação e pela divulgação.

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    1. e já agora o valor do salário dos trabalhadores belgas ,o preço do aluguer ou compra dos armazéns etc .Não há esculpas é um fartar de vilanagem

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  2. Além de retirar o IVA, falta fazer uma análise comparativa quer do consumo, quer dos gastos de manutenção das instalações comerciais entre Portugal e na Bélgica. Creio que os lucros sobre vendas não serão tão escandalosamente diferentes depois de feita uma análise completa, mas é certo que a falta de concorrência a tendência para facilitar os monopolios em Portugal dá aso a estas situações...também fiquei escandalisado com a diferença de oferta de produtos entre o Lidl de Italia e o de Portugal quando lá vivi. O preço não variava tanto como aparentemente se passa neste caso (talvez também porque na altura o nosso IVA era bem mais baixo), mas a qualidade e diversidade de oferta não tinha comparação

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  3. Tenho um caso que pode ajudar a demonstrar que existe cartelização dos preços, envolvendo um produto da Nestlé: Friskies em Espanha (Vigo) custava 6,50€ e em Portugal em todas as cadeias que consultei custava 11€. Questionei a Nestlé e nenhuma justificação plausivel conseguiram dar.
    Tenho provas de compra e fotos do preços afixados no Continente, email da quesão à Nestlé.
    Se o autor quiser juntar estes elementos à queixa envie email para mz19488a@netc.pt

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  4. Isto começou sobretudo aquando da introdução do euro em Portugal; nessa altura, tudo o que custava 100 escudos (50 cêntimos), passou a custar 1 euro (200 escudos). Junte-se a especulação à cartelização... Isto diz tudo!

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    1. O cerne da questão, está mesmo aqui. A paridade dada ao escudo, face ao €uro!

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    2. Não defendam os vigaristas. A taxa de IVA na Bélgica é de 21% http://www.dinheirovivo.pt/Graficos/Detalhe/CIECO052377.html

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    3. claro que nada tem a ver com a paridade o meu salário ficou igual as coisas é que duplicaram sem que houvesse intervenção do estado .então se um café custava 50 ,colocando em paridade com o euro passaria a custar 25 cts ou arredondando 26 cts e n 50 cts

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  5. Confirmo vou várias vezes a holanda e mtas coisas lá até são mais baratas. . Uma embalagem de m&m lá fica quase 1 euro mais barato que cá. Pacotes de aperitivos por ex. para além de haver mto mais variedade q cá (mesma marca) os preços são semelhantes. Isto em quase tudo.. até o tabaco k tanto falam 5 euros , 25 cigarros. Ca 4 por 20 cigarros.. a diferença é no ordenado , lá 1100 minimo e cá 476.. ah e o combustível tb é mais barato. .. lol

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    1. os mm's a justificaçao é que sao fabricados na holanda, não sofrendo com isso as despesas de transporte para portugal que são enormes, mas isso nao justifica que por exemplo a cadeia pingo doce os comercialize a 0,99€ com margens superiores a 100% , e eu sei do que estou a falar pq é o meu ramo. o problema é que os portugueses ainda não se terem apercebido que sai mais barato fazer compras na mercearia do bairro do que nas grandes cadeias de distribuição. façam um teste com um cabaz de 30 produtos e vao ver..............alem de nao cairem em tentaçao de trazer produtos qye nao precisam.

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  6. Os Portugueses são muito mais ricos que os Belgas. Daí, o aumento dos preços em Portugal.

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  7. Os produtos do LIDL vêm em grande parte da Alemanha. Transportá-los de lá para Portugal, ou para a bélgica que é mesmo lá ao lado é completamente diferente.
    Além disso como já foi referido o IVA tem uma diferença de 2%, e ainda é preciso ter em atenção que o transporte também considera essa diferença de IVA. Ou seja, o preço por km, mesmo que seja o mesmo nos dois lados, cá fica logo 2% mais caro, a seguir multipliquem isso pela distancai da alemanha até cá e logo veem. O tabaco é diferente, tem a ver com a carga fiscal que em Portugal se aplica e isso é apenas responsabilidade do Governo e não das redes de distribuição. além disso, não comparem só o que vos interessa. Quanto custa um café na Alemanha ou na França? E muitos mais exemplos existem além do café.

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    1. olhe que se engana e muito, ao pensar que os produtos vêm da alemanha, digo-lhe mais, poucos sao aqueles que vêm de lá.

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  8. O transporte não justifica um aumento de 130%!!!
    Sabia que o Mateus Rose em Madrid custa 0,50€ menos no Carrefour que em Portugal!!!
    E o aumento de 2% de IVA tb não justifica uma diferenca de 130% no preco!!!

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  9. Sou Belga. Na Bélgica o Lidl tem péssima fama por ser uma loja de "baixo nível". Regra geral quem vai lá são imigrantes, precisamente por ser mais barato. (são forçados a tal devido à clientela mainstream ir às outras lojas mais populares)

    Mas se quiserem ir por aí, podem sempre pedir que o preço de um café na bélgica passe a ser o mesmo de cá. (passa de ~0.6€ a ~2.5€)

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  10. Posso tb dizer que em U.K. o preço de vários artigos com a mesma marca, tb se conseguem mais baratos do que aqui em Portugal, (mesmo fazendo a conversão das libras) e ainda p'ralem da diversidade de produtos nas mesmas marcas... Não se trata de diferença de Km de transportes mas sim de politicas de fiscalização. Em U.K., nesse aspeto não brincam em serviço.

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