domingo, 8 de abril de 2012

Dívida Privada um Problema para Portugal


8 de Abril, 2012por Luís Gonçalves*
O principal conselheiro económico de Lucas Papademos considera que o elevado endividamento de empresas, banca e famílias em Portugal é um problema «mais grave» que o da dívida do Estado
A situação de Portugal é assim tão diferente da grega?

Portugal é diferente da Grécia. A crise portuguesa não começou com uma dívida do Estado tão elevada como a grega e, desde o início, sempre existiu um consenso alargado entre os partidos políticos para a aplicação das medidas e do programa da troika. Porém, o endividamento do sector privado (famílias, banca e empresas) português é muito maior do que na Grécia. A dívida privada é um problema mais grave do que a dívida pública e pode vir a criar problemas no futuro. O que ambos os países têm em comum é a ausência, ou escassez, de reformas estruturais, nos últimos dez anos, e que agora têm de ser implementadas. Infelizmente para Portugal, o país foi arrastado para esta crise devido à Grécia.
O destino de Portugal poderá seguir o grego, independente de estar a cumprir o acordo com a troika?
Quando a Grécia começou a apresentar problemas financeiros e a falhar metas da troika, as atenções centraram-se em Atenas e ninguém olhou para Portugal. Mas, como sabemos, os mercados financeiros estão agora concentrados em Portugal e não estão a olhar para Espanha ou Itália, por exemplo. Enquanto a crise na Zona Euro continuar, os países periféricos serão sempre os mais vulneráveis. É preciso não esquecer que apesar das últimas medidas, a crise não terminou.
Faz sentido que a troika tenha usado a mesma fórmula que usou na Grécia após um ano e após ter reconhecido que tinha exagerado na dose de austeridade?
Os líderes europeus não tinham qualquer experiência em lidar com países do euro em dificuldades e no início apostaram, quase exclusivamente, em políticas de austeridade e o resultado foi o que se viu. Os responsáveis deviam ter apostado nas reformas estruturais, logo de início, em detrimento da austeridade fiscal. Esta restrição fiscal acabou por provocar uma recessão maior do que o esperado nos países onde foi aplicada. Mas agora não vale a pena chorar sobre leite derramado. Temos de olhar para o futuro. Penso que as reformas estruturais vão levar algum tempo a ter efeito, mas estou confiante. Se a Zona Euro permanecer segura e intacta, penso que a Grécia e países como Portugal vão ser bem sucedidos.
Description:Os gregos estão preparados para mais de dois ou três anos de medidas de austeridade?
A população grega atingiu um ponto em que entendeu a necessidade de renovar e reformular o funcionamento do Estado. Os gregos estão nervosos e prestes a explodir, mas sabem que não se podem queixar porque o Estado já não tem dinheiro para lhes pagar. Ou seja, o método tradicional de protesto não funciona. É por isso que precisamos de eleições. Muita gente pergunta: por que precisamos de eleições? É precisamente para libertar esta válvula de dor. Temos de saber como vai a situação evoluir daqui para a frente. Penso que o pior já passou. O desemprego não deverá crescer tanto como entre 2009 e 2011. Um terceiro resgate é pouco provável, mas penso que será difícil regressar aos mercados em 2015, tal como previsto pela troika.
Quais são os grandes desafios da Grécia?
No curto prazo, é resolver o problema de liquidez, o pessimismo da população e a falta de confiança dos mercados. O processo de reestruturação da dívida foi um sucesso, é preciso ver como corre a recapitalização da banca e é necessário recuperar os depósitos perdidos. Durante a crise, a Grécia já perdeu 25% dos depósitos, cerca de 50 a 60 mil milhões de euros. Estes são desafios a longo prazo.
*na Grécia, a convite da Comissão Europeia
luis.goncalves@sol.pt

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Assunto: A Dívida

Pergunta:

"Quer dizer que nós portugueses, assim como espanhóis e os gregos, não deveríamos pagar a dívida?" 
Resposta de Noam Chomsky, Filósofo e Activista político norte americano:

"Bem, uma grande parte da dívida é aquilo que na terminologia legal se chama de "dívida odiosa", ou seja, uma dívida que não é da responsabilidade das populações.


Trata-se de um conceito da lei internacional criado pelos EUA e que remonta há mais de um século.

Quando os EUA conquistaram Cuba, em 1898, não queriam pagar a enorme dívida que Cuba tinha em relação a Espanha.

Então os EUA determinaram que a dívida não tinha sido contraída pelo povo cubano, mas pelos ditadores, os colonizadores. Portanto, a dívida foi considerada ilegítima e não teria de ser paga.

Este é um conceito que tem sido aplicado uma série de vezes.

Se olharmos para as dívidas de países como a Grécia, Portugal e Espanha, são contraídas por banqueiros, governantes e elites. As populações não têm nada a ver com isso e, portanto, não existe qualquer razão para pagarem".




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