quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Papa Bento XVI e o Polícia

Depois de arrumar toda a bagagem do Papa Bento XVI (e ele não viaja ligeiro), o motorista reparou que o Papa ainda se encontrava no exterior do veículo."Desculpe-me Sua Santidade", disse o motorista, "Não se importa de ocupar o seu lugar para que possamos seguir?"."Bem, para dizer a verdade", diz o Papa, "No Vaticano nunca me deixavam conduzir quando era Cardeal, como Papa ainda menos, e apetecia-me mesmo conduzir hoje!"."Desculpe-me Sua Santidade, mas não posso fazer isso. Perderia o meu emprego! E se acontecesse alguma coisa?"- protestou o motorista, desejando não ter ido trabalhar nessa manhã."E quem é que vai contar?, diz o Papa com um sorriso.Relutantemente, o motorista senta-se atrás, enquanto o Papa ocupa o lugar ao volante. O motorista imediatamente se arrepende pois, mal deixam o aeroporto, o Papa mete o prego a fundo acelerando a limusina até aos 205 km/h (lembrem-se que o Papa é alemão)."Por favor, Sua Santidade!" implora o preocupado motorista; mas o Papa continua com o prego a fundo até que se ouvem sirenes."Oh, meu Deus, vou perder a minha carta de condução e o emprego!", soluçava o motorista.O Papa encosta a limusina e desce o vidro quando o policia se aproxima; quando este olha para ele, regressa à mota e estabelece contacto rádio com a Central."Preciso de falar com o Chefe", informa ao operador.O Chefe responde e o guarda diz-lhe que mandou parar uma limusina que seguia a 205 km/h."Então aplica-lhe a multa", diz o Chefe."Não creio que devamos fazer isso, ele é mesmo importante", diz o policia.O Chefe exclama, "Por isso mesmo, multa o sacana!" "Não, é que é MESMO importante", insiste o guarda. Então o Chefe pergunta,"Quem tens ai, o Presidente da Câmara?" E o policia: "Mais alto". O Chefe: "Um deputado?" Policia: "Mais importante". Chefe: "O Primeiro Ministro?". Policia: "Muito mais!". "Bolas", diz o Chefe, "Então quem é?". O policia: "Acho que é Deus!". O Chefe fica atrapalhado, "E o que te leva a pensar que seja Deus?". Policia: "É que o motorista dele é o Papa"...!

Carta Aberta ao venerando chefe do Estado


Senhor Presidente,
Há muito, muito tempo, nos dias depois que Abril floriu e a Europa se abriu de par em par, foi V.Exa por mandato popular encarregue de nos fazer fruir dessa Europa do Mercado Comum, clube dos ricos a que iludidos aderimos, fiados no dinheiro fácil do FEDER, do FEOGA, das ajudas de coesão (FUNDO DE
COESÃO) e demais liberalidades que, pouco acostumados,  aceitámos de olhar reluzente, estranhando como fácil e rápido era passar de rincão estagnado e órfão do Império para a mesa dos poderosos que, qual varinha mágica, nos multiplicariam as estradas, aumentariam os direitos, facilitariam o crédito e conduziriam ao Olimpo até aí inatingível do mundo desenvolvido.
Havia pequenos senãos, arrancar  vinhas, abater barcos, não empatar quem produzisse tomate em Itália ou conservas em Marrocos, coisa pouca e necessária por via da previdente PAC, mas, estando o cheque passado e com cobertura, de inauguração em inauguração, o país antes incrédulo, crescia, dava formação a jovens, animava a construção civil , os resorts de Punta Cana e os  veículos topo de gama do momento.
Do alto do púlpito que fora do velho Botas, V.Exa passaria à História como o Modernizador, campeão do empreendedorismo, símbolo da devoção à causa pública, estóico servidor do povo a partir da marquise esconsa da casa da Rua do Possôlo. Era o aplicado aluno de Bruxelas, o exemplo a seguir no Mediterrâneo, o desbravador do progresso, com o mapa de estradas do ACP permanentemente desactualizado.
O tecido empresarial crescia, com pés de barro e frágeis sapatas, mas que interessava, havia  pão e circo, CCB e Expo, pontes e viadutos, Fundo Social Europeu e tudo o que mais se quisesse imaginar, à sombra
de  bafejados oásis  de leite e mel,  Continentes e Amoreiras, e mais catedrais escancaradas com um simples cartão Visa.
Ao fim de dez anos, um pouco mais que o Criador ao fim de sete, vendo a Obra pronta, V.Exa descansou, e retirou-se. Tentou Belém, mas ingrato, o povo condenou-o a anos no deserto, enquanto aprendizes
prosseguiam a sanha fontista e inebriante erguida atrás dos cantos de sereia, apelando ao esbanjamento e luxúria.
No início do novo século, preocupantes sinais do Purgatório indicaram fragilidades na Obra, mas  jorrando fundos e verbas, coisa de temerários do Restelo  se lhe chamou. À porta estava o novo bezerro de ouro, o euro, a moeda dos fortes, e fortes agora com ela seguiríamos, poderosos, iguais. Do retiro tranquilo, à sombra da modesta reforma de servidor do Estado, livros e loas  emulando as virtudes do novo filão foram por V.Exa endossados , qual pitonisa dos futuros que cantam, sob o euro sem nódoa, moeda de fortes e milagreiro caminho para o glorioso domínio da Europa.
Migalha a migalha, bitaite a bitaite, foi V.Exa pacientemente cozendo o seu novelo, até que, uma bela manhã de nevoeiro, do púlpito do CCB, filho da dilecta obra, anunciou aos atarantados povos estar de volta,
pronto a servir.
Não que as gentes o merecessem, mas o país reclamava seriedade, contenção, morgados do Algarve em vez de ostras socialistas.
Seria o supremo trono agora, com os guisados da Maria e o apoio de esforçados amigos que, fruto de muito suor e trabalho, haviam vingado no exigente mundo dos negócios, em prol do progresso e do desenvolvimento do país.
Salivando o povo à passagem do Mestre, regressado dos mortos, sem escolhos o conduziram a Belém, onde petiscando umas pataniscas e bolo-rei sem fava, presidiria, qual reitor, às traquinices  dos pupilos, por veladas e paternais  palavras ameaçando reguadas ou castigos contra a parede.
E não contentes, o repetiram segunda vez, e V. Exa, com pungente sacrifício lá continuou aquilíneo cônsul da república, perorando homilias nos dias da pátria e avisando ameaçador contra os perigos e tormentas que os irrequietos alunos não logravam conter.
Que  preciso era voltar à terra e ao arado, à faina e à vindima, vaticinou V.Exa, coveiro das hortas e
traineiras; que chegava de obras faraónicas, alertou, qual faraó de Boliqueime e campeão do betão;  que chegava de sacrifícios, estando uns ao leme, para logo aconselhar conformismo e paciência mal mudou o piloto.
Eremita das fragas, paroquial chefe de família, personagem de Camilo e Agustina, desprezando os políticos profissionais mas esquecendo que por junto é o profissional da política há mais anos no poder, preside hoje
V.Exa ao país ingrato que, em vinte anos, qual bruxedo ou mau olhado, lhe destruiu a obra feita, como vil criatura que desperta do covil se virou contra o criador, hoje apenas pálida esfinge, arrastando-se entre a solidão de Belém e prosaicas cerimónias com bombeiros e ranchos.
Trinta anos, leva em cena a peça de V.Exa no palco da política, com grandes enchentes no início e grupos arregimentados e idosos na actualidade.
Mas, chegando ao fim o terceiro acto, longe da epopeia em que o Bem vence o Mal e todos ficam felizes para sempre, tema V.Exa pelo juízo da História, que, caridosa, talvez em duas linhas de rodapé recorde um fugaz Aníbal, amante de bolo-rei e desconhecedor dos Lusíadas, que durante uns anos pairou como Midas multiplicador e hoje mais não é que um aflito Hamlet nas muralhas de Elsinore, transformado que foi o ouro do bezerro em serradura e  sobrevivendo pusilâmine como cinzento Chefe do estado a que isto chegou,
não obstante a convicção, que acredito tenha, de ter feito o seu melhor.****
Respeitoso e Suburbano,  devidamente autorizado pela Sacrossanta Troika,
**António Maria dos Santos* *
**Sobrevivente (ainda) do Cataclismo de 2011*

*"Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente.* ****

* E pela mesma razão."* ****

 *EÇA DE QUEIROZ* ****

Donos de Portugal RTP 2





OS 10 MAIS RICOS
1. Alexandre Soares dos Santos: 2070 milhões de euros
2. Américo Amorim: 1955,9 milhões de euros
3. Família Guimarães de Mello, 700,1 milhões de euros
4. Belmiro de Azevedo: 680,9 milhões de euros
5. Família Alves Ribeiro: 650,8 milhões de euros
6. Rita Celeste Violas e Sá, Manuel Violas: 609,3 milhões de euros
7. Família Cunha José de Mello: 560 milhões de euros
8. Fernando Figueiredo dos Santos: 542,3 milhões de euros (primo de Alexandre Soares dos Santos)
9. Maria Isabel dos Santos: 542,3 milhões de euros (prima de Alexandre Soares dos Santos)
10. Luís Silva e Maria Perpétua Bordalo Silva: 521 milhões de euros
online@sol.pt



Américo Amorim é o mais rico de Portugal


As 25 maiores fortunas do país equivalem a 10% do PIB nacional. Os ricos estão mais ricos, segundo a análise da revista Exame. 
Américo Amorim volta a recuperar a posição do homem mais rico de Portugal, depois de no ano passado ter perdido a liderança para Alexandre Soares dos Santos, presidente da Jerónimo Martins, no ranking da revista Exame, quinta-feira nas bancas.
Apesar da crise, as 25 maiores fortunas do país continuam a crescer e este ano somam 16,7 mil milhões de euros, quando em 2012 valiam 14,4 mil milhões de euros. Equivalem agora a 10% do PIB nacional, o que representa um aumento de 1,6%.
Com uma fortuna avaliada em 4,5 millhões de euros em 2013, Américo Amorim está de novo no topo da lista que a revista Exame publica anualmente. Foi considerado o mais rico em 2008, 2009, 2010 e 2011.  
A subida em flecha do preço das ações que detém na Galp Energia, no Banco Popular e na Corticeira Amorim permitiram-lhe duplicar a fortuna. 
O líder da Jerónimo Martins perdeu a liderança, mas não por causa de prejuízos na sua fortuna. Pelo contrário, também logrou um crescimento -  de 2,1 mil milhões para 2,2 mil milhões -, no entanto insuficiente para segurar o posto do ano passado, tendo em conta os resultados de Amorim. 
A família Guimarães de Mello é a família mais rica e permanece no terceiro lugar dos bilionários. De 700,1 milhões em 2012 passa para quase 1,7 mil milhões em 2013.
Belmiro de Azevedo também mantém a quarta posição do ranking do ano passado e vê igualmente a ampliação da sua fortuna que duplicou para 1,2 mil milhões. 
A mulher mais rica do país é de novo Maria Isabel dos Santos, que detém 10% da Sociedade Francisco Manuel dos Santos, dona da Jerónimo Martins. Tem uma fortuna estimada em 574,9 milhões de euros e sobe do 9.º para o 7.º lugar. Por: Raquel Pinto/Expresso/20:04 Quarta, 27 de Novembro de 2013   Ler mais: http://expresso.sapo.pt/americo-amorim-e-o-mais-rico-de-portugal=f843276#ixzz2lsoe19Mc

terça-feira, 24 de abril de 2012

Diferença entre o Original e a Cópia


Um jovem noviço chegou ao mosteiro e deram-lhe a tarefa de ajudar os outros monges a transcrever os antigos cânones e regras da Igreja.
 Ficou surpreendido ao ver que os monges faziam o seu trabalho a partir de cópias e não dos manuscritos originais.
Foi falar com o abade e explicou que, se alguém cometesse um erro na primeira cópia, esse erro propagar-se-ia em todas as cópias posteriores.
O abade respondeu-lhe que há séculos copiavam da cópia anterior, mas que achava bem relevante a observação do noviço.
Na manhã seguinte, o abade desceu até as profundezas da caverna na cave do mosteiro, onde eram conservados os manuscritos e pergaminhos originais, que não eram manuseados há muitos séculos.
Passou-se a manhã, a tarde e depois a noite, sem que o abade desse sinais de vida.
Preocupado, o jovem noviço decidiu descer e ver o que tinha acontecido.
Encontrou o abade completamente descontrolado, com as vestes rasgadas, a bater com a cabeça ensangüentada nos veneráveis muros do mosteiro.
Espantado, o jovem monge perguntou:
- Abade, o que aconteceu?
- Aaaaaaaahhhhhhhhhh!!! CARIDADE... CARIDADE!!! Eram votos de "CARIDADE" que tínhamos de fazer.
E não de "CASTIDADE"!!!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Zé tu Aguentas 2012 prometo Cuecas


simples

 DO LATIM:
O vocábulo "maestro" vem do latim "magister" e este, por sua vez, do
adjectivo "magis" que significa "mais" ou "mais que". Na antiga Roma o
"magister" era o que estava acima dos restantes, pelos seus
conhecimentos e habilitações!
Por exemplo um "Magister equitum" era um Chefe de cavalaria, e um
"Magister Militum" era um Chefe Militar.
Já o vocábolo "ministro" vem do latim "minister" e este, por sua vez,
do adjectivo "minus" que significa "menos" ou "menos que". Na antiga
Roma o "minister" era o servente ou o subordinado que apenas tinha
habilidades ou era jeitoso.
COMO SE VÊ, O LATIM EXPLICA A RAZÃO POR QUE QUALQUER IMBECIL PODE SER Ministro.


Diz Gaspar, ao Primeiro ministro:

- Chefe, tenho mais um imposto para os funcionários públicos:
  
                
Todos aqueles que pesarem mais de 50 Kg ficam sem subsídio de alimentação. O que acha??  

- Ó Gasparzinho, grande ideia!
                   Mas, 50Kg não será peso a mais???!!! … 

As medidas de Austeridade deste Governo

Citigroup: PIB português deverá recuar 5,4% este ano e 3% em 2013 

(Afinal já vai em 6,9%)


Banco de investimento mantém previsão que Portugal vai pedir um segundo pacote de ajuda este ano e reestruturar a dívida, com o envolvimento dos privados, em 2013. O resultado será uma forte recessão, devido às novas medidas de austeridade que terá que implementar.
Citigroup mantém previsões negras para a economia portuguesa, antevendo que o país enfrenta dois anos de forte recessão, devido às novas medidas de austeridade que terá que implementar, uma vez que antecipa que o Portugal terá de seguir as pisadas da Grécia e reestruturar a dívida no próximo ano.

As estimativas pessimistas para Portugal constam de um relatório no qual o Citigroup até eleva as previsões para a economia mundial, prevendo um crescimento global de 2,6% neste ano, mais uma décima do que previa há um mês, mas, ainda assim, um ponto percentual aquém das mais recentes previsões do FMI para o mundo.

Em sentido inverso, o Citigroup antecipa uma quebra mais profunda para o PIB português, de 5,4% neste ano, quando em Março previa uma contracção de 5,3%. Para o próximo ano a previsão do banco de investimento aponta para uma recessão de 3%. Já o desemprego, segundo estas previsões, deverá subir para 15,6% este ano, antes de voltar a galgar para 17,3% em 2013.

Todos estes números são consideravelmente mais sombrios do que os avançadas por diversas instituições internacionais para a economia portuguesa, que apontam para uma queda de 3,3% do PIB este ano, seguida de uma estagnação em 2013, com o desemprego médio a ficar aquém de 15%.

Desemprego fura contas

No referido relatório, o Citigroup justifica revisão em baixa para a economia portuguesa com “a deterioração do mercado de trabalho mais acelerada do que o esperado”. O banco adianta que a previsão para 2013 baseia-se na probabilidade de o país ter que adoptar mais medidas de austeridade.

Há já largos meses que o Citigroup considera que Portugal vai ser obrigado a pedir um segundo pacote de ajuda financeira este ano e avançar para uma reestruturação de dívida, que envolva um perdão por parte dos privados, já em 2013.

O actual programa de ajuda a Portugal termina em 2014 e prevê o regresso do país aos mercados em Setembro de 2013. “Acreditamos que Portugal vai falhar as metas de redução do défice orçamental este ano, dadas as derrapagens ocorridas no ano passado, descontadas dos efeitos das medidas extraordinárias”, refere a equipa de economistas liderada por Willem Buiter.

Num estudo de Fevereiro, citado pelo Financial Times, o Citigroup concluía que Portugal precisava de seguir as pisadas da Grécia. Para tornar a dívida sustentável era necessário negociar um perdão de 50% da dívida detida por privados (valor que cifrava em 68 mil milhões de euros, se o 'hair-cut' fosse realizado ainda neste ano). Isto a par de um segundo programa de assistência financeira, que quantificava entre 50 e 65 mil milhões de euros, e que adiaria a perspectiva de regresso aos mercados para 2016.

Com um segundo empréstimo, mas sem reestruturação, a dívida subiria para uns insustentáveis 146% do PIB em 2015/16, estimava então o banco de investimento.

Mas Portugal não é o único país em relação ao qual o Citigroup está pessimista. O banco antecipa que também a Irlanda vai precisar um segundo pacote de ajuda e reviu em baixa as projecções macroeconómicas do país. Antecipa que o PIB da Irlanda vai recuar 0,8% este ano e crescer 0,3% em 2013.

Para Espanha as projecções do Citigroup apontam para uma recessão de 2,7% este ano e 1,3% em 2013. 

domingo, 22 de abril de 2012

Seres decentes - Ramalho Eanes

               
   

Em 1911, o 1.º Presidente ganhava 15 vezes mais do que um deputado. E agora?http://expresso.sapo.pt/politica/2016-03-08-Em-1911-o-1.-Presidente-ganhava-15-vezes-mais-do-que-um-deputado.-E-agora-



Seres decentes
Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si.

O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber.
Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira.
O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.
Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.
Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro.
Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados.
As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social.
Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a.
Mas pedi-la, não. Nunca!»
O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.
“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”.
Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta- acrescentando os outros.
“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”. O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética.
Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.
Autor: Fernando Dacosta

Nota: Já escrevi algures no Expresso um comentário sobre Ramalho Eanes, mas sinto-me na obrigação de dizer algo mais e que me foi contado por mais que uma pessoa.
Disseram-me que perante as dificuldades da Presidência teve de vender uma casa de férias na Costa de Caparica e ainda que chegou a mandar virar dois fatos, razão pela qual um empresário do Norte lhe ofereceu tecido para dois. Quando necessitava de um conselho convidava as pessoas para depois do jantar, aos quais era servido um chá por não haver  verba  para o jantar. O policia de guarda em vez de estar na rua de plantão ao fio e chuva mandou colocá-lo no átrio  e arranjou uma cadeira para ele não estar de pé. Consta que também lhe ofereceram Ações da SLN-BPN, mas recusou.
http://viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/03/manuel-de-arriaga-primeiro-presidente.html

http://viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/03/o-rei-da-republica.html




O NOSSO PROBLEMA por RAMALHO EANES 
“Desobediência civil não é o nosso problema. O nosso problema é a obediência civil. O nosso problema é que pessoas por todo o mundo têm obedecido às ordens de líderes e milhões têm morrido por causa dessa obediência. O nosso problema é que as pessoas são obedientes por todo o mundo face à pobreza, fome, estupidez, guerra e crueldade. 
O nosso problema é que as pessoas são obedientes enquanto as cadeias se enchem de pequenos ladrões e os grandes ladrões governam o país.
É esse o nosso problema." Ramalho Eanes, Gen.


Hoje, muito pouca gente recorda o 
PRESIDENTE HARRY TRUMAN 

e conhece estas características da sua personalidade...

No Portugal de hoje há um, que também foi Presidente, com comportamentos parecidos ...
  
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HARRY TRUMAN foi um tipo diferente como presidente.
Provavelmente tomou tantas ou mais decisões em relação à história dos EUA como as que tomaram juntos os 42 presidentes que o precederam.
Uma medida da sua grandeza talvez permaneça para sempre: trata-se do que êle fez DEPOIS de deixar a Casa Branca.
A única propriedade que tinha quando faleceu era uma casa, onde morava, que se encontrava na localidade de Independence, Missouri. A sua esposa havia-a herdado de seus pais e, fora os anos em que moraram na Casa Branca, foi onde viveram durante toda a vida.

Quando se retirou da vida oficial, em 1952, todas as suas receitas consistiam numa pensão do Exército de U$13.507 anuais.
Quando o Congresso soube que ele custeava seus próprios selos de correio, outorgou-lhe um complemento e, mais tarde, uma pensão retroativa de $ 25.000 anuais.
Depois da posse do presidente Eisenhower, Truman e sua esposa voltaram a seu lar no Missouri dirigindo seu próprio carro... sem nenhum acompanhamento do Serviço Secreto.

Quando lhe ofereciam postos corporativos com grandes salários, rejeitava-os dizendo:
“Vocês não querem a mim, o que querem é a figura do Presidente, e essa não me pertence. Pertence ao povo norte-americano e não está a venda...”.
Ainda depois, quando em 6 de Maio de 1971 o Congresso estava se preparando para lhe outorgar a Medalha de Honra em seu 87° aniversário, recusou-se a aceitá-la, escrevendo-lhes:
“Não considero que tenha feito nada para merecer esse reconhecimento, venha ele do Congresso ou de qualquer outra parte”.
Enquanto Presidente, pagou todos seus gastos de viagens e de comida com seu próprio dinheiro, quando não estava em função oficial.
Este homem singular escreveu:

“As minhas vocações na vida sempre foram ser pianista numa casa de putas ou ser político.  E para falar a verdade, não existe grande diferença entre as duas!”.